A candidatura de Huck

Achei este texto na FSP uma interessante análise sobre o Luciano Huck. Segue:
Modelo de Luciano Huck não é
Macron, mas Mauricio Macri - Matias
Spektor - FOLHA DE S.PAULO


Quando um grupo de multimilionários lançou
o Renova Brasil, no mês passado, a reação
entre os melhores analistas foi cética.
De fato, há bons motivos para desconfiar do
porvir eleitoral de um "fundo cívico para a
renovação política" porque as condições atuais
privilegiam o velho em detrimento do novo: o
fundo partidário, o tempo de televisão, o uso da
máquina pública, o instituto do foro privilegiado e
a força das dinastias movidas a patronagem
familiar.
Renovar a política demandará mais do que a
oferta de bolsas, treinamento e assessoria que o
Renova Brasil promete aos pré-candidatos
comprometidos com a pauta mínima de quem
paga a conta.
Seria um equívoco, no entanto, descartar o
Renova Brasil de antemão. Os dois motivos
imediatos são óbvios.
Nenhum outro grupo possui as mesmas
condições para testar o uso de inteligência
artificial aplicada às redes sociais, metodologia
que permitiu ao En Marche de Emmanuel
Macron rebater a estratégia online de Marine Le
Pen. E nenhuma outra confederação de
interesses tem na manga uma possível
candidatura de Luciano Huck, que consegue ao
mesmo tempo ser jovem, livre de denúncias de
corrupção, credor da confiança do mercado e
capaz de gerar mídia espontânea e uma
coalizão no centro do espectro ideológico.
O terceiro motivo é menos conhecido. Renova
Brasil, ao oferecer proteção e projeção a uma
nova geração de políticos brasileiros, pode
causar uma fissura no fisiologismo tradicional
que até hoje sustenta o presidencialismo de
coalizão da Nova República: o conluio entre
Executivo e Legislativo para lotear o Estado e
vender leis em troca de financiamento de
campanha, muitas vezes com a anuência do
Judiciário e das instituições de controle.
Como? 
A referência aqui não é Macron, mas
Mauricio Macri. Uma década antes de chegar à
Casa Rosada, Macri entendeu ser impossível
governar a Argentina sem uma azeitada rede de
clientelismo. Trabalhou com afinco para
construí-la, oferecendo ao conjunto de jovens
pré-candidatos um clube de facilidades que
ninguém no peronismo oferecia.

No processo, além de captar sangue novo,
atraiu uma clientela poderosa de raposas velhas
que já estavam sedentas por uma alternativa ao
kirchnerismo desgastado. Macri montou uma
máquina paralela e, quando pôs o time em
campo, bateu de frente contra quem comandava
o antigo esquema.
Se é isso que o Renova Brasil fará é impossível
prever. Mas a demanda social por renovação
existe e, depois da Lava Jato, os velhos
esquemas clientelistas de PT, DEM, PMDB e
PSDB têm pernas bambas.
 O jogo da renovação
começa em 2018 e não tem data para acabar.

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